terça-feira, março 30, 2010

Quem somos?

Triste é a existência de um ser
Que vive a vida
Dia a dia
Como se fosse o último...
Que vive em alegria...
Que canta, que sorri...
Mas que no fim da sua linha
Somos ninguém...
Afinal... Quem somos?
A quem pertencemos?
Com que finalidade vivemos?

Vivemos para o triste Destino
Pertencemos à inexistência da vida
Somos uma alma perdida...
Que de quando em vez...
Encontramos um corpo...
E brincamos com ele...
Como se Marionetas fossemos...
Somos filhos do Pó...

Quem somos?

"Édera"
31 de Março de 2010

sexta-feira, março 26, 2010

Presa aos meus devaneios
Deixo meus pensamentos
Serem levados pelo vento...

As letras que pingam da caneta
Assemelham-se às gotas de sangue
Que pingam de uma fina lâmina...

É no papel tingido a vermelho
Que vai ficando o registo
Dos dias de escravidão
Que se vive a par e passo
Da solidão que se sente
Embora rodeada por...
Espécies de seres vivos

É esta a história
Que fica marcada
No pequeno pergaminho
Para mais tarde ser lida...

Toda uma história de escravidão do triste Destino
Da frieza de uma vida
Que se vive e se sonha
E no FIM
Se repete como tantas outras...

Chamadas de atenção que se perdem...
Que se esquecem...
Porque se vive PRESO,
Porque se vive ESCRAVO...
Porque se AMBICIONA
O que não se pode ter...

Anseio pelo dia
Que me liberta de toda esta pressão...
E me faz entrar dentro da civilização
À muito adormecida...

"Édera"
26 de Março de 2010

"Quem me roubou"

Sofri um atentado à mão armada
Roubaram-me o que de melhor eu tinha
A alegria de querer viver...

Deram-me um cálice a provar...
Na minha inocência o bebi...
O sabor adocicado deste licor
Fez-me viajar...
Entreguei-me de corpo e mente...
Deixei-me levar...
Viajei até ao local mais longínquo
Que possa imaginar...

Adormeci....
Quando acordei,
Caí na realidade
E vi...
Que me tinham roubado a felicidade,
A alegria de querer viver...

Agora o que me resta?

Resta-me beber o restante cálice adocicado
E mergulhar num profundo sono
Não permitir a entrada de ninguém
Neste meu sonho
Que perdura há muito tempo
E que agora tem uma razão de ser...

"Édera"
26 de Março de 2010

quarta-feira, março 24, 2010

A par e passo caminho para o abismo
Tropeço nas pedras
Que me fazem cair.

Levanto-me e caminho em frente...

Páro por instantes...
Olho para trás e penso
No que vivi, no que amei...
Mas noto que nada tem valor...

Sofro em silêncio...
Choro lágrimas de dor...
Meus olhos vertem sangue...
O sangue do Amor...

Continuo a minha caminhada...
Aproximo-me a passos largos do abismo...

Cheguei ao abismo e grito...
Ouço o eco da revolta...
E com ele trás uma mensagem...

Escuto com atenção...
Olho para baixo...
E... lá está ela a chamar-me.
Morte é o nome dela...
Que grita incessantemente por mim

Dou mais um passo e...
Penso...
Ainda não chegou a hora...
Ainda não é desta que me vou...
Recuo um passo atrás...

Aos poucos é mais fácil
Sucumbir à existência da vida
É mais fácil entrar na cidade fria

Sinto-me uma fraca...
Tenho que me despedir
De quem me ama, me acarinha...
E dos meus verdadeiros amigos...

"Édera"
24 de Março de 2010

quinta-feira, março 04, 2010

Hoje está um dia soalheiro,
Quase faz lembrar a Primavera,
Já se antevê o regresso do chilreio
De todas as novas aves...
Mesmo com toda esta alegria
Surge a vontade de sucumbir à existência...
E dar lugar à novidade da natureza...
Boas novas vão surgindo...
Mas o desespero e a ansiedade
Também vão reflorescendo...
Pensamentos vãos e latos...
Surgem quase que do nada...
Alojando-se de mansinho
Procurando o conforto no colinho do coração...

Palpitações anunciam desilusão
Anunciam a hora da tomada de decisão
A caminhada no limiar da aguçada navalha
Anuncia que está para breve
A entrada na nova morada
Fria, gelada...
Com descanso eterno...

Amigos, perdoem-me...
Amor desculpa se te abandono
Mas...
Já vi o meu cantinho
É lindo!


"Édera"
4 de Março de 2010